“Porque meu filho vive doente!?”

Se identifica com essa frase?

Quem, entre os pais, nunca se viu diante dessa questão?

Essa é uma das queixas mais frequentes e pertinentes nos consultórios de Pediatria e sempre um dilema presente nas frequentes visitas ao Pronto-Socorro Infantil.

Para entender a resposta devemos compreender um pouco sobre Desenvolvimento Infantil!

Todo bebê nasce com uma boa proteção com as doenças, provenientes tanto células de defesa que receberam da mãe durante a gravidez quanto do aleitamento materno, mas esses costumam cair a partir do 6º mês. Esses fatores protetores vão diminuindo: os anticorpos maternos começam a cair a partir dos seis meses, e acabam por volta de 1 ano. A proteção do leite materno diminui progressivamente a partir da introdução de novos alimentos e até o final da amamentação. O lactente também fica cada vez mais exposto ao contato com outras pessoas. Assim, até os 2 anos, o sistema imunológico do seu filho não está totalmente desenvolvido, e isso o deixa mais suscetível a infecções.

Além de nessa fase a criança estar mais suscetível chega o fim da licença maternidade, e quando as mães não possuem parentes por perto e não querem ou não podem recorrer a uma babá, só lhes resta buscar apoio em creches ou escolas infantis.

Pronto! É só a criança entrar na escolinha e começa a engatar uma doença atrás da outra. Alguns pais se desesperam e logo retiram a criança da escola e deduzem que quando retornarem mais tarde, isso talvez não aconteça A impressão que dá é que criança que vai para creche adoece mais que as que ficam em casa.

Então o que seria o certo? Se isolar a criança e protegê-la numa bolha?

Não! Pois só através do contato com os agentes infecciosos é que ele vai ganhando resistência e fortalecendo o sistema de defesa do organismo de forma apropriada!

O fato é que a partir do momento em que  se aumenta o contato com outras pessoas, maior é a exposição aos agentes invasores e, consequentemente os riscos transmissão de doenças. Independentemente da idade, espera-se que, no primeiro ano de frequência à instituição escolar, a criança adoeça mais vezes por causa do aumento do número de contatos interpessoais.

A Sociedade Brasileira de Pediatria costuma orientar os pais a esperar a criança completar pelo menos 1,5 ano para colocá-la na creche. É que com essa idade ela terá terminado de tomar as principais vacinas dessa faixa etária. Essa recomendação também tem relação com o sistema imunológico infantil, que tem uma baixa entre 6 meses e 1 ano e volta a se fortalecer por volta de 1,5 ano.

Então não se assuste se o bebê adoecer várias vezes logo depois de você colocá-lo numa creche ou escola infantil. Em média, as crianças saudáveis entre os seis meses e os três anos desenvolvem de seis a oito infecções do trato respiratório por ano, como gripes, resfriados, laringites, broncopneumonias, um episódio de otite média aguda e dois episódios de vômito e diarréia.

Mas relaxem! Esta fase vai passando gradualmente, e a incidência desses tipos de doença diminui bastante depois dos três anos de idade, quando o sistema imunológico estará muito mais fortalecido.

A recomendação geral é que a criança fique em casa se estiver doente. Tanto a criança se recupera mais rápido se tiver o carinho e o aconchego de sua casa, como se a criança estiver doente, a prioridade é seu bem-estar. Além disso, há sempre a possibilidade de contágio para outras crianças, bem como a criança doente muitas vezes está devido ao seu estado infeccioso  com a defesa mais baixa, o que a torna ainda mais suscetível a outras infecções oportunistas.

Alguns pais acabam deixando o filho mesmo doente na escola. Nesses casos, as escolas costumam pedir a receita do médico para poder medicar a criança no horário prescrito, mas sempre há riscos nessa conduta. O ideal é que o tratamento da criança e a observação de seus sintomas seja sob cuidados de seus pais e cuidadores.

O que fazer para evitar essas doenças?

Dr. Mauro Fisberg, da UNIFESP, recomenda “Os 6 segredos das crianças que (quase) nunca ficam doentes”:

  • Ser amamentada com leite materno até os 6 meses

“O aleitamento materno colabora para a formação do sistema imunológico da criança, previne muitas doenças, como alergias, obesidade, anemia, intolerância ao glúten etc. “

  • Ter uma alimentação variada

“É por meio de uma alimentação variada que a criança consegue suprir todas as suas necessidades de ferro, proteína, cálcio, fibras, vitaminas e minerais. “Carnes, especialmente as vermelhas, oferecem nutrientes importantes para o desenvolvimento das crianças e são absorvidos facilmente pelo organismo”, diz Fisberg. É importante incluir também vegetais verde-escuros, vermelhos e laranjas, para garantir as vitamina A e D.”

  • Tomar vacinas

Meio óbvio? Acredite, para muitos, parece que não!

“O calendário brasileiro de vacinação é um dos mais completos do mundo. Por isso, deixar de proteger o seu filho está fora de questão. Ao manter a caderneta de vacinação da criança em dia, você garante não apenas a saúde dela, mas da população ao redor e ajuda a diminuir a mortalidade infantil.”

  • Brincar mais ao ar livre

É dessa forma que seu filho vai trocar o ar dos pulmões, ter contato com o sol – para aumentar a produção da vitamina D no organismo – e até com novas bactérias que vão ajudá-lo a fortalecer o sistema imunológico.”

  • Dormir bem

“Uma boa noite de sono é fundamental para o seu filho estar disposto para mais um dia pela frente. Só que, para isso, ele precisa ter uma rotina saudável, o que inclui horários para comer, dormir, estudar, praticar atividades físicas. Isso tudo vai impactar diretamente na saúde da criança. Vale reforçar aqui que estudos já mostraram que a privação de sono aumenta o risco de obesidade.”

  • Lavar as mãos

“Simples e eficaz. Lavar as mãos com água e sabão é uma das formas de evitar o contágio de doenças infectocontagiosas. Segundo a Unicef, no Brasil, lavar as mãos, principalmente após usar o banheiro, antes de comer e depois de brincar ao ar livre, ajuda a reduzir em mais de 40% os casos de doenças diarreicas, e em quase 25% os casos de infecções respiratórias.”

Dra. Milane Miranda, Pediatra

Atenção: ⛔️
Conteúdo exclusivamente de caráter informativo e educacional.
Post não substitui consulta! Procure o seu pediatra!

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