A maioria de nós já nascemos com um verdadeiro exército que defende nosso organismo. Esse é o nosso sistema imunológico, que não abre mão da utilização de diferentes armas, todas importantes para a proteção adequada.

A primeira linha de defesa é formada por células do sangue denominadas glóbulos brancos (neutrófilos e macrófagos) e por proteínas do sangue que são capazes de destruir micro-organismos (sistema complemento). Quando estes componentes não conseguem destruir os micro-organismos, o corpo lança mão de células específicas, denominadas linfócitos T e B, sendo que estes últimos produzem anticorpos.

Mas nem todo indivíduo nasce ou se desenvolve assim.

Algumas vezes alguns são acometidos por grupo de doenças caracterizadas por um ou mais defeitos do sistema imunológico onde há o desenvolvimento de uma imunodeficiência.

O resultado disso são crianças mais propensas a apresentar infecções frequentes e graves, além de tumores, alergias e doenças autoimunes.

Essas doenças já nascem com a criança?

Algumas vezes sim!

Existem 2 principais grupos onde pode haver defeitos na imunidade na infância:

  1. Origem hereditária, geralmente inicia-se na infância, embora em algumas situações só se manifeste na idade adulta. Nestes casos, outros membros da família podem ser afetados também. Estas alterações são conhecidas como imunodeficiências primárias ou congênitas.
  2. O segundo grupo não é hereditário, mas aparece como consequência de outras doenças, como desnutrição grave, infecção pelo HIV (vírus causador da AIDS) e uso de medicações que deprimem a imunidade (imunossupressores e corticoides). São conhecidas como imunodeficiências secundárias ou adquiridas. Este segundo grupo é mais frequente que o primeiro.
Mas assim o bebê já nasce sem defesa?

Não!  Os recém-nascidos recebem células de defesa da mãe através da placenta, nascendo com níveis adequados de anticorpos, o que lhes protege contra infecções nos primeiros meses de vida. Porém, como já dito no post anterior, durante o primeiro ano a criança passa por um processo de imaturidade de seu sistema imunológico, o que a torna mais vulnerável a infecções. Entretanto, estas infecções são leves e geralmente não apresentam complicações.

O leite materno também ajuda muito, sendo uma fonte rica de anticorpos e de outros componentes que ajudam na defesa. Esse é um dos motivos que o leite do peito é tão importante no primeiro ano de vida, de preferência de forma exclusiva nos primeiros 6 meses.

Toda criança que adoece deve ser investigada para imunodeficiência?

Não! Infecções comuns da infância, de padrão viral,  são geralmente sem gravidade, que frequentemente acometem crianças saudáveis, especialmente as que frequentam creches e escolas. Portanto, desde que não haja complicações para infecções mais graves, esses quadros não sugerem alterações da imunidade.

Então quando se deve pensar nas Imunodeficiências primárias?

Infecções de repetição constantes, aquela criança que nunca fica boa, sempre complicando logo após um tratamento recente.

  • Crianças que não respondem da forma esperada ao tratamento com antibióticos habitualmente utilizados.
  • Crianças que sempre que adoecem apresentam complicações ou hospitalizações frequentes.
  • Crianças que apresentam reações adversas graves após vacinas de patógenos vivos, como as mais utilizadas pelo SUS.

img_10_sinais_criancas Mas atenção! Algumas vezes as imunodeficiências podem se manifestar como diarreia crônica, retardo de crescimento, emagrecimento, doenças alérgicas graves, doenças autoimunes (por exemplo: lúpus eritematoso e artrite reumatoide), tumores e alterações no sangue (anemia e diminuição de glóbulos brancos).

Essas doenças podem matar?

Depende! Quanto mais cedo for detectada essas doenças menores são esses riscos, pois melhores são as chances de uma boa qualidade de vida para a criança.

Se se descobre muito tardiamente a chance de ocorrência de complicações e sequelas é muito maior, inclusive com risco de morte.

Por isso, é muito importante que as crianças sejam levadas rotineiramente ao pediatra, desde os primeiros meses de vida.

Isso tem cura?

Depende! Existem diferentes formas de tratamento, dependendo da imunodeficiência.

Podem ser com medicações para estimular a produção de glóbulos brancos, com a reposição mensal de anticorpos, com terapia gênica (ainda não disponível no Brasil) e também com o transplante de medula óssea ou de células-tronco, já realizados em nosso país para várias imunodeficiências.

O mais importante é que as imunodeficiências sejam rápida e corretamente diagnosticadas, para que o tratamento adequado seja iniciado o mais cedo possível.

Essas crianças podem receber vacinas?

Depende! Do tipo de imunodeficiência e do tipo de vacina. Nesse caso, sempre consulte o seu pediatra antes de levar a criança para vacinar!

E no futuro, eles podem ter filhos?

A imunodeficiência, por si só, não contraindica a gravidez ou a possibilidade de ter filhos. Porém, para algumas imunodeficiências há risco significativo de os filhos apresentarem o mesmo problema, por serem doenças hereditárias. Pais consanguíneos (parentes entre si) também têm maior risco de terem filhos com imunodeficiência

Se meu filho apresentar infecções repetidas e suspeita de imunodeficiência, qual médico devo procurar?

Infecções é a principal causa de procura por atendimento médico em crianças. A maioria das imunodeficiências primárias tem início na infância.

Portanto, o pediatra é o médico que deve iniciar o atendimento e acompanhar as crianças com infecções repetidas.

Caso haja necessidade, as crianças deverão ser encaminhadas ao pediatra especialista (imunologista pediatra) para investigação e acompanhamento.

Dra. Milane Miranda, Pediatra

Atenção: ⛔️
Conteúdo exclusivamente de caráter informativo e educacional.
Post não substitui consulta! Procure o seu pediatra!

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